terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Inveja




As gotas da chuva tocam minhas telhas.

Minhas telhas molhadas têm orgasmos.

Múltiplos.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Que assim seja.

Amar não é mais pecado.
Não em nosso tempo.

Quando te vejo todo branco,
tão alto em minha porta,
tão longe nos céus de minha agonia,
meus santos viram névoa
e os infernos que ameaçam,
viram sonhos de fumaça.

Não penso nos terços ou ave-marias,
tampouco nas hosanas que sobem em glórias.
Ignoro todos os catecismos e comunhões,
todos as abdicações e votos.

Tudo se mostra santo, e tudo é santo!

Tuas mãos percorrem meus cabelos
Véu de mártir viva...
E sou essência!
O gosto de teu corpo em minha boca
é pão e vinho, renovação...
E estou abençoada!
Sinto tuas coxas em minhas coxas e...

...sou mais uma Maria.
Mais uma Maria.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Jardim das Esperas

Em meus curtos vinte anos,
nenhum beija-flor entrou por minha janela.
Meu jardim, bem cuidado e cheiroso
não recebe casais apaixonados.

Girassóis desbotam nos cantos;
carecem de um Sol para acompanhar.
Se as rosas ainda prosperam
é porque se riem da efemeridade
de sua própria risada.

Só jasmins gritam seu cheiro
no entardecer mole e escuro
desse Jardim de Esperas,
enquanto um balanço
– sozinho –
dança uma cantiga de roda
cantada pelo vento que,
dia após dia,
se cansa
de soprar.

domingo, 22 de novembro de 2009

Falta

De todos os dissabores
guardados a sete chaves
no cofre secreto do tempo
um resolveu fugir.

Era noite de chuva fina
e a chuva me dizia
(soluçando baixinho)
que esquecer não valia a pena.

De todos os dissabores
escondidos no coração
– músculo teimoso e vadio –
um queimava feito larva.

Era dia de São João.
Bastou um toque apenas
e ardi feito uma fênix
sem poder de ressurgir.

De todos os dissabores
do livro da minha vida,
escritos a pena e sangue,
um se achava segredo.

Cansou da poeira das horas
E numa revolta de vento
Revelou-se num grito surdo
De acauã sem maldição.

E pedras rolaram soltas
nas ladeiras nuas da cidade,
das ruas que ninguém visita,
da escuridão que ninguém fotografa.

Esmagaram o dissabor.
Aquele que resolveu fugir,
Que queimava feito larva
E revelou-se num grito.

De todos os dissabores
que procurei guardar
nos espaços remotos da lembrança,
foi esse o que mais amei.

E tudo está tão vazio
Falta um pedaço em mim
E, por mais dissabores que eu tenha,
Nenhum é tão grande

Para tomar-lhe o lugar.
No fundo, faz falta.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Frio



Eu não sei me comportar no frio. Tudo gela, tudo é rígido, tudo é comprimido. O corpo é tenso, a alma é tensa, tudo é cinza. Não se coloca as mãos, não se coloca a língua, não se sabe colocar, pois tudo treme, tudo conflita, tudo se esgota. Muito se cansa, nada se cobre, pois não se cobria quando era quente, não sabe se cobrir.
Eu não sei me comportar no frio. Não há delícias, não há compartimentos, não há conforto (de corpo e de mente - Meu Deus, tanta gente também com tanto frio!). O cabelo não seca, a roupa não seca, tudo se suja, a lama escorrega e se adere ao corpo, às pernas, às coxas, às unhas coloridas e as torna marrons, cinzas, escuras.
Eu não sei me comportar no frio. As coisas são tristes, não se sai na rua, não se modifica, não há convívio, ou há convívio demais. Tudo é extremo, tudo é grotesco, o toque machuca, o carinho não afaga, os corpos não se esquentam, o indivídio é mais indivíduo, não há volúpia, não há desejo, não há jeito, tudo treme, nada se esgota.
Eu não sei me comportar no frio. O frio castiga, o frio ri de todos, a todos importuna, a todos cutuca, a cada momento, a cada minuto lembra que aqui está, que existe tão forte, que vai demorar ir-se, não vai evadir-se, e vai rir-se, e rir-se e rir-se... Aumenta-se tudo, tudo sufoca, espalha-se grande, resistente sempre, sempre agonia.
Eu não sei me comportar no frio. Mas o frio sabe comportar-se em mim.

Ígneo

Os teus versos, eu os dissolvi
No melhor Cabernet Sauvignon.
Arderam em meus lábios, famintos,
Teus versos, o fogo dos teus versos.

Das folhas de teu livro, couro de centauro,
Fiz meu leito sob a lua crescente.
Cobri-me com elas seis dias e seis noites;
No sétimo dia, acordei repleta de ti.

De tua lembrança, fiz um esconderijo
Que adornei com teus mais belos verbos,
E de teus cílios fiz cortina de sonhos
Para enfeitar as noites de minha janela.

Ainda restaram teus toques, raros toques
Ofertados a mim na azáfama dos dias,
Que deslizavam por sombras e tecidos
No afã de serem apenas sugestões...

... mas tão quentes, tão reais e desejosos
que me faltam metáforas.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pablo Neruda brinca de ser criança: Livro das Perguntas



A escola onde eu trabalho possui uma pseudo-biblioteca (explico: uma sala de aula onde ficam todos os livros existentes na escola, didáticos e paradidáticos). Como fico lá durante o tempo entre o turno da tarde e o da noite, costumo fuçar os livros. Sempre há de se encontrar um livro interessante em bibliotecas de escolas antigas. Foi numa dessas incursões que encontrei o livro que se tornaria um dos marcos de minha vida de leitora: “Livro das Perguntas”, do incrível Pablo Neruda. Detalhe: publicado em 2008 aqui no Brasil, teve como tradutor ninguém menos que Ferreira Gullar.

O livro consiste – falando superficialmente – em perguntas infantis sobre as coisas da vida, uma verdadeira tentativa de construir significados num mundo onde o que menos há é significado. E não são simplesmente perguntas: são reflexões cheias de poesia, com uma lírica estrondosa, e ao mesmo tempo detentoras da suavidade das interrogações das crianças, como vemos nos trechos seguintes:



Sofre mais quem espera sempre
Ou quem nunca esperou ninguém?

Onde termina o arco-íris,
Em tua alma ou no horizonte?

Talvez uma estrela invisível
Seja o céu dos suicidas?

Onde estão as vinhas de ferro
De onde cai o meteoro?


E o que faz o livro ficar mais especial ainda é a arte de Isidoro Ferrer, que ilustra o livro com imagens lúdicas, brincando com todas as formas de criar: colagens, montagens, fotografias, formando paisagens, caricaturas, objetos, entre outras fantasias.

O livro ainda traz, no final, depoimentos de crianças imaginando quem seria Pablo Neruda, bem como os outros participantes da construção do livro. Os depoimentos, cheios de fantasias, histórias sobre como começaram a escrever ou ilustrar, são de uma riqueza tão grande, que se tornam parte indispensável para a criação do significado do livro. Enfim, uma obra prima que não pode deixar de ser lida, ou melhor, saboreada, com todas as caldas de chocolate, as cerejas por cima, com direito a castanhas, tudo isso deitado no sofá, com um cobertor até o ventre, num dia gostoso de chuva. 
 

 

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Gestalt

A primeira vez que me deitei sob um cortinado de renda, achei incrivelmente macabro. O quarto admirado através de pequenos espaços vazios de um tecido que eu via em filmes de terror. Nessa primeira vez, escutei ventos que antes não uivavam, portas que não batiam e gatos que jamais amavam. O preto tornou-se mais preto, as frestas da janela se tornaram mais brilhantes e a casa toda parecia não ser minha. O cobertor, que antes era armadura contra qualquer assombração, tive que abandonar: o calor me atormentava e me fiz desprotegida. A primeira vez que me deitei sob um cortinado de renda, nunca esquecerei.

A segunda vez que me deitei sob um cortinado de renda, achei deveras romântico. O quarto admirado através de pequenos espaços vazios de um tecido que era descrito no mais lindos contos de amor. Nessa segunda vez, tive sonhos com príncipes incríveis, com florestas impossíveis, com castelos encantados. O tecido vagarosamente era levantado, a perfeição por ele deslizava e eu era despertada com um beijo. O cobertor, antes símbolo do meu pudor, em segundos abandonei: o calor me atormetava e eu me quis desprotegida. A segunda vez que me deitei sob um cortinado de renda, nunca esquecerei.

A terceira vez que me deitei sob um cortinado de renda, percebi o quanto era banal. O quarto admirado através de pequenos espaços vazios de um tecido que me protegia dos mosquitos. Nessa terceira vez, percebi que tudo - além de mim - era imóvel, que as paredes são sempre verdes e que não há ninguém - além de mim - dentro do quarto; escutei o barulho da rua, o zumbido constante da teimosia dos mosquitos e minha solidão, que de tão certa já era minha. O cobertor, que antes me protegia do frio, novamente agarrei: o frio continuava, e o cobertor persistia sobre, entre e sob minhas pernas solitárias (acompanhantes uma da outra, apenas). A terceira vez que me deitei sob um cortinado de renda, infelizmente, nunca esquecerei.

08/06/2009


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Vitor Nascimento de Sá - Poesia Baiana



Tomei conhecimento de VITOR NASCIMENTO DE SÁ no blog de José Inácio Vieira de Melo. Vitor Nascimento de Sá nasceu em 1982, no sudoeste da Bahia, em Maracás. É poeta e professor de literatura, formado em Letras na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) em Jequié, é co-diretor do Grupo Concriz – equipe de jovens recitadores e poetas que tem realizado diversos recitais no Estado, desde 2005.

Na verdade, olhando o blog (saudade de falar folheando!) vi o poema CARONTE e adorei. Pensei, de início, que era de José Inácio; só depois, com cautela, descobri que era de Vitor Nascimento de Sá. É fenomenal. De um cuidado incrível, ele faz uma poesia fluida, que dá prazer em recitar. Aqui trago o poema que me fez apaixonar pelo trabalho desse rapaz. Aproveitem.

 
CARONTE

Na primeira vez que vi Caronte,
minha vida pareceu mais acabada.

Mas passadas quase três eternidades,
mirando sua face na saída,
pareceu-me a única amiga
a que eu já tinha observado.

Na terceira vez que Caronte encontrei,
já trazia o coração despedaçado:

nem o cumprimentei, pobre barqueiro.
Paguei e ordenei que atravessasse,
eu, lamentando ter morrido de infarto
e com paixão mandando no meu peito.

Caronte, agora, encontro todo dia:
é porteiro do prédio onde trabalho.

Com bom dia o saúdo logo cedo;
vem trazer o meu jornal meio amassado.
E, ao sair, digo assim, meio com medo:
boa noite, meu barqueiro desgraçado.

Dispersos I



Com um badoque de baraúna
atirei três pedaços do meu coração
(que recolhi, dispersos no chão)
em direção às suas pupilas escuras.

Viu o sangue de meu estigma?
É por te amar, meu beija-flor!

Caminho

De uma estrada à outra, perco-me
De certo trecho, decerto triste.
E o que existe não mais suponho
Confortador. É só capricho.

Capricho de caminhante, caminheiro
Centeio colhido no campo amarelo
Que não na minha terra
Que não no meu quintal.

Espinho de flor não plantada:
É o que lhe trago, lembrança doida
De pés doídos, mãos doídas,
De caminho não completado,

De entardecer não olhado,
De sol não posto e galinha não morta
Por algum roceiro que não viveu
Que não morreu, que nada.

Minha Ave Maria não foi levada
No vento em que enviei
O cheiro de meu suor marcado
Por centeio, espinho, galinha e roceiro.

Talvez uma carta escrita à pena
Com sangue de pés rachados
E calos de mãos vazias
Te chegue numa tarde dessas.

Talvez uma carta. Talvez só a pena.
Talvez meu sorriso, meus olhos de livro.
Quem sabe chegue meu corpo aflito
Que passou pela vida e não tocou em nada.

domingo, 11 de outubro de 2009

Encontros Literários: necessidade em Barreiras


Começaram no dia 2 de outubro, em Salvador, os Encontros Literários, uma atividade do Ponto de Cultura da Academia de Letras da Bahia. Trata-se de bate-papos com escritores, com leitura e discussão de textos previamente selecionados, objetivando a aproximação do público leitor com autores baianos, no oferecimento de uma visão panorâmica de nossa literatura atual. Os encontros irão de setembro de 2009 a dezembro de 2011. O coordenador do evento é o já consagrado Luís Antônio Cajazeira Ramos, e nos primeiros encontros já apareceram personalidades importantíssimas do campo literário baiano: no dia 02/10 o bate-papo foi com Ruy Espinheira Filho e Maria Lúcia Martins, com comentários de Lígia Telles e Valdomiro Santana. Dia 06/11 será com Luís Henrique Dias Tavares e Adelice Souza, com comentários de Cássia Lopes e João Eurico Matta. No dia 04/12, preparem-se: ninguém menos que Myriam Fraga, seguida do fenomenal Ildásio Tavares, ambos poetas consagrados na Literatura Baiana.

Aqui em Barreiras vai demorar um pouquinho pra que eventos como este aconteçam. Os autores daqui são pouco conhecidos, e quando conhecidos, menosprezados, por serem da terra. Bom, não vamos esperar que eles virem artistas comerciais para podermos conhecer suas obras. São bons poemas e músicas, alguns já publicaram livros ou gravaram CD’s, como é o caso de Clebert Luís e Antônio de Pádua. Outros são totalmente populares; undergrounds, eu diria. Recitam seus versos ou cantam suas músicas em bares e praças, espalhando no vento a cor de suas palavras.

Talvez seja bom descermos do carro e andar nas praças e bares, de vez em quando, escutando as vozes, reconhecendo as pessoas, seus gestos. Essa é a melhor forma de entrar em contato com a arte: observando-a onde ela é criada, onde ela possui importância. Nem sempre os livros e discos são tão emocionantes como uma récita em plena praça pública, feita pelo próprio autor. Nem sempre.

sábado, 10 de outubro de 2009

Sentado

Ela passava, simples. E só o fato de passar já me enchia os olhos e a boca. Um pé, depois o outro; seria assim. Mas quando eram os pés dela o mundo inteiro se mexia, crateras se abriam, vendavais solitários se uniam, a maré subia. Os pássaros cantavam mais alto; de tão alta, a cantoria chegava aos céus e voltava em forma de tempestade. Ela começava então a correr.

Ela corria, simples. De tão simples ritmo meu fôlego se extinguia e eu me via morto durante alguns segundos inspirados por algum deus. Os raios desse deus eram os cabelos negros que balançavam molhados pela chuva. Morri uma, duas, três eternas vezes. E morro constantemente quando ela balança os cabelos. Deus, que não chova mais! Já se foram seis vidas.

Abrigou-se num teto que nem era teto, tão esquisito que se formava. Uma casa que não era casa, pois era um nada perto de tal figura resplandecente. Um castelo não a comportaria, não a honraria. Maldita perfeição, porque existe? Deveria não existir, como dizem livros de filosofia e desiludidos em programas de televisão. Existe para meu tormento, apenas.

E eu fumava, do outro lado da rua, derretendo embaixo de uma goteira que eu não percebia. Todos os sentidos se convergiam nela e o frio não existia. Ela tremia, a roupa grudada no corpo, o cabelo negro – maldito cabelo – respingando cantoria de pássaro. Raio de deus molhado de cantoria de pássaro.

O rosto preocupado, enfadado, tristonho, chateado. Ela não gostava da chuva – ninguém que carrega livros gosta. Olho passeando por todos os lados. Nem me vê, tão insignificante sou. Estende a mão. Lá vêm luz e ruído de ônibus; ela indo embora. O ônibus a esconde, e quando sai deixa um teto que não é teto vazio, tão vazio quanto o meu coração embaixo dessa goteira maldita que eu percebi agora. Queimei o dedo no cigarro. Acendo outro. Tudo sem graça até a próxima tempestade no meio-dia.

Divino Insano



Vontade de beijos. De beijos e mãos nas costas nuas. De cheiros e abraços. Não qualquer cheiro. Não qualquer abraço. Hálito de uva e abraço de fim de mundo. Quero o toque; exatamente aquele toque. Aquele que atrai suspiros e provoca arrepios.

Quero o peito nu em meu peito nu. Porque quando os pêlos tocam meus seios, eu viajo. Viajo para um universo paralelo, para um mundo dionisíaco onde só o amor tem vez. Não qualquer amor, não qualquer mundo. O amor de Dioniso, o mundo de Dioniso.

Vontade de vinho. Vinho e línguas e bocas. Vontade de cheiro. Cheiro de vinho e de sua boca. E sua língua em meu corpo, em meu braço, em meu seio, em minhas pernas. Suas mãos e o vinho em minhas pernas. Calor, muito calor.

Vontade de esquecer o mundo, de matar Apolo, de afogar Minerva. Quero o seu cacho de uvas entre minhas maçãs. Quero as minhas ninfas esgotando seus sátiros. Porque minhas ninfas, todas elas, amaram Dioniso. Os seus sátiros? São apenas servos de Dioniso. Não amam.

O verde das pastagens não supera o brilho de meus olhos regados a vinho, abençoados por Dioniso. Minhas flores, lindas flores, desabrocham, e enchem de cheiro o ar. O ar que respiro enquanto ofego, enquanto sinto sua fruta em minha terra.

E quando o vento soprar de novo, tudo será lembrança. Porque Dioniso é intenso, insano, rápido. E me amarra com linhas velhas e me solta ao nascer do dia. Acaba com minha liberdade ao me libertar, pois minhas mãos, ao serem soltas, te encontram, e prendem-se de novo no seu peito nu. Em meu peito nu. E tudo volta a ser noite. E tudo expira Dioniso.

Ego Onírico


Há um monstro dentro de mim. Vivente dos séculos, milhões de séculos presos em bolhas de universos. Esse monstro é tão antigo quanto os universos. Ele é feito de Universos.

Há um demônio dentro de mim. Não se perde, não se dobra, não se exclui: sabe exatamente o que dominar. Esse demônio tem a arte de dominar. Ele é feito de Domínio.

Há um gênio dentro de mim. No escuro ele é luz, mas sabe quando iluminar; tem sabedoria. Esse gênio possui os Livros da Sabedoria. Ele é feito de Sabedoria.

Há uma bacante dentro de mim. Seus cabelos negros dançam aos sábados em louvor a Baco. Essa bacante aprendeu os prazeres e segredos de Baco. Ele é feita por Baco.

E dentro de mim se desenrolam as magias dos eternos: suas bênçãos, suas maldições, seus prazeres, suas desgraças. Tenho em mim todas as glórias dos mundos, e os mundos me contêm. Sou a ausência das cores e sua permanência. Sou a eternamente cinza.

Eu sou Deus.

Desvirginando o blog...

Olá, Caros Leitores!

Como primeiro post deste blog voltado para a Arte e, especificamente, para a Literatura, escolhi fazer um levantamento de sites que tem como função reunir escritores – neófitos ou consagrados – publicando seus textos na rede. É fato que a Era Digital proporcionou uma facilidade na produção e divulgação de trabalhos artísticos (e às vezes, nem tão artísticos assim); qualquer um pode fazer sua música, seu vídeo, seu poema ou e-book e jogar na internet. Aí é só esperar os acessos ou fazer seu próprio marketing.
No entanto, como receptores CRÍTICOS das informações que nos são mostradas, devemos analisar aquilo que chega até nós, e não absorver tudo como maravilhas e verdades absolutas. Assim, nestes sites, você encontrará ótimos escritores (Oba!), escritores medíocres ou não-escritores. Vamos a eles:

EuAutor: ( http://euautor.com.br ) Uma espécie de Orkut, onde você pode postar seus textos e classificá-los de acordo com o assunto e a forma. Outros tipos de arte, como desenhos, também podem ser compartilhados. Os textos podem ser formatados de acordo com o desejo do autor e aparecem na página inicial por ordem de postagem. Ótimo, apesar do design um pouco arcaico.

Recanto das Letras: (http://recantodasletras.uol.com.br) Uma gracinha. Além das classificações que aparecem no EuAutor e dos textos na página inicial por ordem de postagem, oferece um espaço, a Escrivaninha, onde cada autor gerencia sua conta, suas publicações, mensagens e comentários. Também há um espaço para áudios, onde o autor pode postar a récita de suas criações. Tem um link para a Rádio Poética e um espaço chamado Vitrine, onde você pode fazer a propaganda de seu livro publicado. Se você fizer a Assinatura Premium, pode usufruir de adicionais, e com a assinatura Site do Escritor Você pode usar todos os recursos e fazer seu próprio site, com fotos, blog e as porras todas. Um luxo.

Projeto Releituras – Novos Escritores: (http://www.releituras.com/novosescritores.asp) Para estar aqui, você tem que ultrapassar alguns bloqueios. Você tem que enviar, no máximo, dois textos para releituras@ism.com.br, de 120 linhas cada um (no máximo, também). Os textos são submetidos a um grupo de leitores e, se selecionados, serão publicados, passando a fazer parte desta página. O autor cujo texto for selecionado será imediatamente informado via e-mail e terá a honra de ter sua obra publicada no Releituras – Novos Escritores. O problema são os vários interessados, o que torna a escolha deveras demorada. Até hoje não me responderam. Ou por falta de tempo, ou por falta de talento (meu).

Usina de Letras: (http://www.usinadeletras.com.br) Mesmo esquema. Cadastre-se e ganhe uma página gratuita. Ainda tem um adicional: se algum mecenas estiver lendo o site e gostar de seus textos, acessa a opção Patrocine um Autor ou Texto, e sua obra aparecerá no Quadro de Patrocinados, na página inicial da Usina de Letras, sendo, logicamente, mais acessado pelos leitores. Isso por um preço (simbólico) de R$ 40,00. Capitalismo selvagem.