quarta-feira, 19 de maio de 2010

Skylab - Meu Pai

Fenomenal Skylab.

MEU PAI

Eu dei à luz meu pai
no final de uma noite tenebrosa
depois de longas contrações.
O rebento nasceu aos gritos.

Eu não tive dúvidas: era meu pai,
o estrangeiro sem alma,
de onde vim e pra onde voltarei.
Era ele mesmo: a cloaca do mundo,

onde muitos garotos se iniciaram
e muitas meninas também.
Meu pai nasceu com setenta kilos

e foi motivo de júbilo para família.
Foi batizado com o nome de Silvio
e morreu sem eu ter completado a maioridade.

SKYLAB/MAIO-2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Alvorecer

Os lábios que não beijam mãos são mortos.
Os lábios que não noticiam o amor
não são lábios.
As vozes que não cantam louvores
a ouvidos que estão presentes
não são vozes.
Não são ouvidos aqueles que não escutaram
o grito dourado do sol lamber a cidade.

Todas as manhãs cantam os anus-pretos.
Todos eles voam em direção aos lábios
que beijam mãos e noticiam amor.
Não são ouvidos aqueles que não ouviram
o anu-preto cantar pela manhã.
Não são toques aqules que carecem de paixão.

(mas paixão vermelha, que queima toda uma vida
e em uma manhã se pacifica, se completa)

Todas as manhãs seriam completas
se as paixões apenas se olhassem.

Por que são olhos aqueles que olham.