segunda-feira, 17 de maio de 2010

Alvorecer

Os lábios que não beijam mãos são mortos.
Os lábios que não noticiam o amor
não são lábios.
As vozes que não cantam louvores
a ouvidos que estão presentes
não são vozes.
Não são ouvidos aqueles que não escutaram
o grito dourado do sol lamber a cidade.

Todas as manhãs cantam os anus-pretos.
Todos eles voam em direção aos lábios
que beijam mãos e noticiam amor.
Não são ouvidos aqueles que não ouviram
o anu-preto cantar pela manhã.
Não são toques aqules que carecem de paixão.

(mas paixão vermelha, que queima toda uma vida
e em uma manhã se pacifica, se completa)

Todas as manhãs seriam completas
se as paixões apenas se olhassem.

Por que são olhos aqueles que olham.

4 comentários:

  1. Ei, tá tão bom isso que eu quase disse um palavrão, um putaquepariu de boca cheia, menina Lála, ótimo.

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  2. Belo poema, me fez lembrar "Beijo Eterno" de Bilac, embora toque na questão de maneira mais aguda. Dentre outras coisas, por eleger outro objeto como alvo que não aquele de Bilac.

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Quebre o silêncio!