terça-feira, 29 de novembro de 2011

I Encontro de Letras na Uneb-Campus IX e Lançamento do Livro Sangue Novo

Está acontecendo desde ontem, no campus da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Barreiras, o I Encontro de Letras DCH – IX. O evento, organizado pelo Colegiado do Curso de Letras, está com uma extensa e rica programação. Oficinas, mini cursos, contação de histórias e outras atividades fazem parte da agenda do encontro.


E, aproveitando a deixa, vai ter o lançamento do livro SANGUE NOVO - 21 POETAS BAIANOS DO SÉCULO XXI, hoje, dia 29, às 15:30.


Os dois primeiros dias de programação estão sendo ótimos. Muitas oficinas e mini-cursos interessantes sobre os mais variados temas, como psicanálise, literatura popular, semiótica, literatura contemporânea, além de comunicações e apresentações culturais.

Parabéns especial para a galera de Caitité, que está nos prestigiando e participando ativamente do evento e para as revelações nas artes, como Juliano, nosso artesão; Magda, desenhista e pintora; Diego, cantor, entre outros que recitam, dramatizam, tocam flauta.... Ufa! É muita gente!

Sem contar nossas queridas professoras Maria das Dores, Nelma, Solange Zorzo, Martinha, Vera Nunes, Benevenuta, Marilde e o bendito fruto, Ricardo Tupiniquim, que estão fazendo um trabalho maravilhoso.

E, lógico, temos que notar a calourada de Letras trabalhando no envento, dando o sangue e o suor para que tudo ocorra bem!

Abraço especial para Agnaldo, que está atualmente MORANDO na universidade (que inveja...)  e para Joaney, nosso homem técnico-informacional que nos ajuda de todas as formas possíveis!

Aproveitem o I Encontro de Letras do Campus IX!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dispersos III

Vontade de mergulhar num rio, perder os relógios.
Vontade de lavar as almas que tenho, uma por uma,
tirando o ranço de realidade de cada uma.
Deixar o verde, verde,
o branco, branco,
o azul, azul.
Colorir as almas, deixá-las leves
e depois partir num sonho qualquer,
encontrar outros tempos,
outras lendas diferentes.
Ouvir as histórias dos outros,
novas fábulas -
porque as minhas, coitadas,
já estão surradas.
Vou inventar uma nova mitologia,
uma totalmente minha,
onde os deuses são bons
e os sacrifícios, desnecessários.
A regra nos templos é ser feliz.
Que mais nos falta?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Azial

Por Janaína Netto

Tu és o tempo...
Que do gozo se fez o alento
Construção ordenada do milênio
Que por muitos e muitos séculos
Determinou os movimentos.
Tu és a estrutura perfeita
Que da luz reluzente
Cega os mais sábios videntes
Que se proclamaram auto-suficientes
Se afastando do passado, do futuro e do presente.
Tu és simplesmente Laíza...
Flor lilás do dia
Descendência infinita a qual não se explica.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Lançamento do Livro SANGUE NOVO - 21 POETAS BAIANOS DO SÉCULO XXI

      Depois de um tempinho de ansiedade, finalmente vai sair!

      Organizado pelo poeta José Inácio Vieira de Melo, a coletânea SANGUE NOVO - 21 POETAS BAIANOS DO SÉCULO XXI vai ser lançada em Salvador, no meu aniversário, dia 23 de julho. Acontecerá das 10 às 14 horas na livraria LDM Multicampi.
      Na coletânea, 21 poetas nascidos a partir de 1980, baianos ou radicados na Bahia, terão suas poesias publicadas pela Escritura Editora, com apresentação de Mayrant Gallo. Abaixo está a capa com a ilustração de Fernando Aguiar e a relação dos poetas participantes.
      Infelizmente não estarei no lançamento, mas meu espírito e mente estarão direcionados para todos e todas presentes no evento.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

A Rosa - Banda O Combo

Esse é o poema "A Rosa", musicado pela Banda O Combo, daqui de Barreiras.
Beijos especiais ao João e à Bia, que canta fantasticamente bem.
Valeu, galera!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Seca



Esse fogo maldito que me entorta a cara
que me arranca a pele, ferve meu sangue
esse fogo maldito
azul
que nem parece queimar
deita todos os dias em minha cama
e brilha, e brilha
um brilho pálido de morte.

É fogo na vereda, animal correndo
minha pele virando campeiro
filhote de coruja abandonado na chama.

Esse fogo maldito que me entorta a cara
deita todos os dias em minha cama
e entra em meus sonhos.
O farfalhar de asas das araras em fuga
é o sinal da loucura em cada árvore.

Último esconderijo, uma caverna.
Lá dentro, todas as feras copulam.

domingo, 22 de maio de 2011

Sobre o truque de cartas


Não há maior desespero que a falta de voz.
Nem todo som é, por si, inteligível.
Os ouvidos tardam a perceber verdades
e verdade é rocha inacessível.
Custa a vida chegar lá.

“De metamorfoses vive o homem”, diz a História.
“Seu pão é palavra cabalística, início dos tempos
- resto de magia estendida no universo -
que o transforma sem ser ouvida”.
Mais do mesmo.

O olho aprende a ver o que deve apreender.
Há escolas para isso e nada se questiona.
A verdade é contada de cima, de cima cuspida,
engolida entre uma prosa e outra.
Invenções de crianças crescidas.

Destina-se a humanidade em canetas viciadas.
São os mesmos livros, outras capas apenas,
e suas prateleiras pesam pecados:
são viventes os que escrevem,
sobreviventes os que lêem.

E se fala, corta-se a língua;
E se vê, furam-se os olhos.
E se levanta, derruba.
Mas muitos são as bocas, os olhos e as pernas.
Será demorado, será difícil. Correm-se riscos.

Num momento onde não há escolha
- pois a única saída é escolher-
Fecha-se o vão da história.

Amor em quadrinhos


Eu me vejo Evey,
eu te vejo V.

Eu me vejo Lois Lanne,
eu te vejo Superman.

Eu me vejo Canário Negro,
eu te vejo Arqueiro Verde.

Eu me vejo Jean Grey,
eu te vejo Wolverine.

Eu me vejo Joan Willians
eu te vejo Flash.

Eu me vejo Diana,
eu te vejo Fantasma.

Eu me vejo Mary Jane,
eu te vejo Spiderman.

Eu me vejo Sue,
eu te vejo Reed Richards.

Eu me vejo Barbara Gordon,
eu te vejo Dick Grayson.

Eu me vejo Catwoman.

Eu te vejo, Batman.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Perdição



Eu tenho me esquecido dos deuses.
Estes malditos me cobram sacrifícios que não posso dar.
Toda fé tem limite e eu conheço o sangue derramado.
Agora perambulo nas latrinas
procurando o resto de honra que joguei fora.
Abrir os olhos é masoquismo.
A luz dói mais nesses dias
e eu tenho medo do vindouro.
Existem cartas na manga conhecidas por todos os jogadores
e – Deus! – como eu queria mentir!
Até isso nos é tirado.

Embaralho o destino e retiro um arcano;
ele me diz mais que meus anos de cristandade.
Minhas cruzes, eu as carrego
para o morro onde jazem as barrigudas
(árvores tristes com cabelos ao vento).
Lá eu largo tudo o que é antigo,
e vivo minha natureza humana
decentemente arrumada
pelos meus descréditos.

Soa um sino ao longe, marcando a mudança.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pirahãs: A tribo que converteu um missionário ao ateísmo

Em: http://www.mortesubita.org/blog/pirahas-a-tribo-que-converteu-um-missionario-ao-ateismo



Recente reportagem da BBC Radio trouxe uma história curiosa de uma selva que recebeu um missionário e devolveu ao mundo mais uma ateu. A história resumida pelo site freethinker.co.uk começa com um missionário norte americano disposto a pregar sua fé aos índios sulamericanos mas que acaba conhecendo os Pirahãs. Uma tribo de gente em contato com a natureza e absolutamente secular. Um povo que terminou por convencer o pregador cristão a se tornar ateu.

Daniel Everett, 57, linguista da cadeira de Língua, Literatura e Cultura da Universidade de Illlinois disse ao apresentador da BBC, John McCarthy que seu objetivo era levar a alegria da fé cristã aos "povos primitivos", mas acabou descobrindo que aquelas pessoas já eram felizes. De fato, segundo ele muito mais felizes do que a maioria do cristãos que ele conhecia.

A primeira estratégia de Everett foi traduzir o Evangelho de Lucas para a língua dos Pirahãs e fazer uma leitura para os membros do grupo. Mas qual a surpresa do missionário ao ver que mesmo interessados na história, os índios resistiam a toda tentativa de conversão. Os Pirahãs perguntavam se ele próprio havia presenciado todos os milagres que eram contados, e ele teve que admitir que não. Admitiu que simplesmente estava passando adiante o que haviam contado pessoas que por sua vez também não testemunharam nada daquilo.

Para os Pirahãs o mundo é como sempre foi e não há nenhuma deidade suprema. Além disso não existem quaisquer mitos da criação, ou súplicas em sua cultura. Eles não demonstraram qualquer necessidade de Deus, religião ou autoridade política ou religiosa para viverem suas vidas.

Ainda segundo freethinker.co.uk o zelo do missionário logo se dissipou. Convencido de que os Pirahãs não apreciavam qualquer significado espiritual da Bíblia, Everret finalmente admitiu que ele mesmo não conseguia mais levá-la a sério. Ele se declarou ateu.

Sua honestidade intelectual lhe custou um casamento, vários amigos e a perda de contato com dois de seus três filhos. Sua trajetória com os Pirahãs é contada em seu livro: "Don’t Sleep There are Snakes.", eleito o Livro da semana pela própria BBC Radio 4 que nos trouxe a história.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Cidade

Eu sou a parte viva desses muros.
Cada tijolo me tem em sua essência
e nossos átomos contêm em si o mesmo nada,
o mesmo espaço em branco
que colore todas as coisas.

Capitão Manoel Miranda
Barão de Cotegipe
Coronel Magno
Homens que não conheço
e dormem comigo todas as noites.
Neles eu piso, eu vivo, eu caminho e respiro
sem saber o que foi, como e quando.

Pois somos uma parte, uma parte apenas
da cidade.
E nessa cidade
eu sou a parte viva dos muros.
Apenas uma parte.

O sol é só nosso, e as chuvas
e as luas.
Tem um céu inteiro concebido
para cobrir-lhe os telhados.

Mas ela se acaba, pouco a pouco,
na ganância dos homens e mulheres,
na futilidade dos homens e mulheres,
na ignorância dos homens e mulheres.

Compartilhamos as mesmas lágrimas.

No final, aprendemos a gostar das ruas tortas.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Dispersos II

Deitar e esquecer.
Esquecer e deitar.
Tirar o mundo das costas em uma única queda.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Aos meus mortos



Havia um nada, uma transparência em seu rosto,
um véu esquisito de teias sombrias.
O que era pele, o que era osso
estava tênue, tênue, tênue.
Era tudo leveza roubada da última rosa de seu tempo.
Era tudo leveza!
E nem os mais velhos sabiam
se havia a verdade em seus olhos.
Era um nada – havia um nada
se o nada pudesse haver.
Se o nada pudesse haver, estaria ali
- tênue, tênue, tênue –
a vagar pela rigidez sem natureza,
sem dureza.
A paz inquieta das últimas horas,
das tristezas interrompidas pelos silvos dos relógios
que não badalam
e o medo do que não se vê,
do que não é certo,
de um inferno inventado nas orações antigas
a paz inquieta de quem já acertou os ponteiros
e conhece a música
a paz inquieta havia.
Sempre esteve lá.