quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Cidade

Eu sou a parte viva desses muros.
Cada tijolo me tem em sua essência
e nossos átomos contêm em si o mesmo nada,
o mesmo espaço em branco
que colore todas as coisas.

Capitão Manoel Miranda
Barão de Cotegipe
Coronel Magno
Homens que não conheço
e dormem comigo todas as noites.
Neles eu piso, eu vivo, eu caminho e respiro
sem saber o que foi, como e quando.

Pois somos uma parte, uma parte apenas
da cidade.
E nessa cidade
eu sou a parte viva dos muros.
Apenas uma parte.

O sol é só nosso, e as chuvas
e as luas.
Tem um céu inteiro concebido
para cobrir-lhe os telhados.

Mas ela se acaba, pouco a pouco,
na ganância dos homens e mulheres,
na futilidade dos homens e mulheres,
na ignorância dos homens e mulheres.

Compartilhamos as mesmas lágrimas.

No final, aprendemos a gostar das ruas tortas.

2 comentários:

  1. Gostei, posso posta-lo em meu blog? Lógico que com a devida referência a fonte.

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  2. "... mas nem sabemos como podem ser retas as ruas..." ha ha

    Belo poema moça.


    Abraço

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Quebre o silêncio!