Eu sou a parte viva desses muros.
Cada tijolo me tem em sua essência
e nossos átomos contêm em si o mesmo nada,
o mesmo espaço em branco
que colore todas as coisas.
Capitão Manoel Miranda
Barão de Cotegipe
Coronel Magno
Homens que não conheço
e dormem comigo todas as noites.
Neles eu piso, eu vivo, eu caminho e respiro
sem saber o que foi, como e quando.
Pois somos uma parte, uma parte apenas
da cidade.
E nessa cidade
eu sou a parte viva dos muros.
Apenas uma parte.
O sol é só nosso, e as chuvas
e as luas.
Tem um céu inteiro concebido
para cobrir-lhe os telhados.
Mas ela se acaba, pouco a pouco,
na ganância dos homens e mulheres,
na futilidade dos homens e mulheres,
na ignorância dos homens e mulheres.
Compartilhamos as mesmas lágrimas.
No final, aprendemos a gostar das ruas tortas.
Gostei, posso posta-lo em meu blog? Lógico que com a devida referência a fonte.
ResponderExcluir"... mas nem sabemos como podem ser retas as ruas..." ha ha
ResponderExcluirBelo poema moça.
Abraço