sábado, 23 de janeiro de 2010

Huxley X Orwell: é assim que se faz marketing para um livro.

Créditos de tradução (até o nono quadrinho...rsrsrs) e de descoberta para O paraíso é uma biblioteca.

Essa HQ foi baseada no livro "Amusing Ourselves for Death: public discurse in the age of show bussiness", de Neil Postman. No link onde está a HQ original também tem links para artigos do mesmo autor. Não li o livro de Neil Postman, nem sei se tem traduzido para o português, mas como leitora desses caras, achei a HQ muito interessante, e agora não tem jeito... Vou ter que procurar o livro do Neil Postman para ler.



 

 
 
 
 
 





 

A HQ Original se encontra aqui.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Trivialidades

O que mais me agrada na Literatura é que todos os temas são líricos. Todos mesmo.
Nada de certeza empírica na escolha de um objeto de estudo, nada de temas-tabus como nas discussões religiosas. A Literatura é A Literatura, e ela dá a liberdade à Linguagem de uma forma que nada mais, em nenhuma instituição civil ou relacionamento interpessoal, daria.
Conheci o blog de Daniel Ferreira, O Último Tango ao Virar da Esquina. Deparei-me com o seguinte texto:


Trivialidades

Quando deres por ti a cagar, num sábado soalheiro, todo nú e só com um par de meias para invalidar a frieza do chão, não te questiones muito. Se tiveres em conta que das mãos, muito antes do papel higiénico, que por razões óbvias não vais utilizar, lês uma entrevista a um nacionalista duvidoso como o Lawrence Durrell, e na aparelhagem, ao fundo, toca o best of dos Queen, perceberás, mais tarde, que o sentido de rídiculo, mais do que o de absurdo, é o caminho acertado para todo e qualquer cagalhão.


Delícia, não é? Aposto que você está pensando em si mesmo e no "sentido de ridículo" que o persegue...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Das profundezas, clamava...

De um poço escuro seu amor saía
E águas negras me banharam toda!
Em cada gesto, intensa dor sentia:
Pendiam cordas; inflamadas bodas.

Nas finas cordas um pescoço havia
E corvos loucos se espalhavam! Fogo...
Uma cabeça sem olhos descria
Que um anjo vinha devolver-lhe o corpo.

Amor assim é que eu conheci:
Pender na morte enquanto tu vivias...
Um paladar que agora não existe,

Uma imagem que eu não percebia.
Amor assim é que eu conheci...
Pender na morte enquanto tu vivias!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Me engana que eu gosto...

Em certos momentos, alguns minutos de silêncio são preciosos.

O cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, fez um comentário bastante peculiar sobre a tragédia no Haiti. Sem saber que estava sendo filmado, falou exatamente as palavras que transcrevo abaixo:

"A desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido. Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f%&!#*...", disse o cônsul.

E imaginando que nós somos seres desprovidos de inteligência, o Consulado Geral do Haiti em São Paulo divulgou a seguinte nota:


NOTA OFICIAL DO CONSULADO GERAL DO HAITI EM SÃO PAULO

15 de janeiro de 2010

Diante do trágico acontecimento que atingiu o Haiti e que abalou o mundo, o Sr. cônsul George Samuel Antoine, no calor dos fatos e, principalmente por possuir centenas de parentes naquele país, sobre os quais tem poucas informações, sabendo que estão desaparecidos, provavelmente mortos, em comentário, teve seus dizeres interpretados de maneira deturpada.

Lamentamos profundamente o fato ocorrido, apresentado pelo SBT em 14 de janeiro, sendo que a divulgação de pequena parte da conversa levou a uma interpretação equivocada que ora se esclarece.

Vez que a frase expressada pelo senhor cônsul do Haiti em São Paulo, fazia parte do contexto de uma conversa que mantinha com um cidadão, que aparece na entrevista, o qual não é repórter e sim presidente do Conselho Do Instituto Americano De Pesquisa, Medicina E Saúde Pública, trata-se do Sr. Dr. Roberto Marton, e estava naquele momento disponibilizando uma ajuda humanitária, organizando recrutamento de voluntários profissionais da saúde.

O Dr. Roberto esteve naquele país meses atrás, com o próprio cônsul, assinando um protocolo de cooperação técnica na área de saúde da mulher. A dificuldade do Sr. cônsul na utilização da língua portuguesa, levou-o a um erro de expressão.

Na verdade, a intenção foi enfatizar que o trágico acontecimento no Haiti fez com que o mundo todo voltasse os olhos para os problemas do seu povo. Inclusive aqui no Brasil, possibilitando assim, maior ajuda humanitária para a reconstrução do país.

Nunca, teve a intenção de promoção pessoal, e sim, a intenção de difundir as dificuldades enfrentadas pela sua gente, que grande parte da população vive abaixo da linha da pobreza, sempre em busca de maior ajuda mundial.

O Sr. cônsul, nasceu em Porto Príncipe, possui familiares de origem africana, seu bisavô Philippe Guerrier, da raça negra, foi presidente do Haiti (1844/45); sendo que o Sr. Antoine veio para o Brasil, e em 1975, foi nomeado cônsul.

Esclarece, que em nenhuma oportunidade tomou atitude racista, tendo se expressado, tão somente, que os povos de origem africana são sofredores em várias regiões do mundo. O cônsul jamais criticou a religião africana, mantendo grande respeito por todos os tipos de crenças pela própria característica do seu país.

O cônsul-geral do Haiti em São Paulo pede desculpas a quem de alguma maneira tenha se sentido ofendido.

Consulado Geral AD.H. do Haiti em São Paulo



Não é Literatura, mas penso que, nesses tempos em que discutimos tão avidamente sobre direitos humanos e respeito à diversidade cultural, isso é mais fantástico que Kafka e Poe juntos.




terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A Praça


É interessante observar a praça pública. Interessante e estranho. Um lugar que é de todos e ao mesmo tempo de ninguém. Para este lugar convergem todos os habitantes da cidade, seja para um passeio maior ou para uma rápida passagem. Mas aqui, na cidade de Barreiras, a praça se tornou um ponto de referência, por ser a principal no centro.

Ao saírem da escola, os estudantes de todos os cantos passam por aqui. Se não têm necessidade de pegar um ônibus, vêm ao menos para se divertir, passar o tempo, encontrarem outros mais jovens. É o ponto de encontro de todas as diferenças. Vê-se um hippie a vender seus artefatos; encontra-se um empresário que aqui estacionou o carro; percebe-se crianças correndo ou pedalando; em outro canto há um idoso, de bengala na mão. O meio-dia na praça ferve de cabeças e pernas e braços e corações em busca do seu fazer. Cada qual com seu objetivo, muitos com metas comuns. Mas todos passam por aqui.

E á noite, então! Que histórias, que segredos, que miragens guarda a praça! Quantos beijos escondidos, quantas canções acompanhadas de violão, quantas lágrimas em colo de amigo, quantos gemidos abafados! Aqui tudo se passa, tudo se desenrola, e no fim é apenas mais um acorde da mesma canção.

São pólos extremos de um único mundo, a convivência da grandeza e do vil, do privilégio e do abandono, do querer e do poder. Tudo se encontra na praça pública.

Não moro em Barreiras, mas essa praça faz parte da minha vida desde quando era Praça das Corujas. Assim que passei a frequentar Barreiras sem a família, por conta dos estudos, aos quatorze anos, comecei a ver o lado público da cidade. Obrigatoriamente eu deveria passar pela praça.

A cidade é um misto de etnias, cores, formas, ideais, posições sociais, de conceitos. Mas na praça... Não sei que efeito nivelador há aqui. Todos se tornam passantes, e só. O misto acaba se unificando e solidificando numa única característica: aqui, somos todos passantes.

E se porventura as minhas primaveras me permitirem conhecer outros lugares, outros estados, outros países; e se alguém me perguntar onde eu aprendi a observar, sentir, escutar, direi que foi num lugar onde todos são tão parecidos em suas diferenças que tive que apurar os sentidos para discerní-los. Foi num lugar onde todos passavam. E só.




P.S.: Hoje eu moro em Barreiras. Algumas coisas mudaram. Vi muito pôr-do-sol lindo, acompanhado de chuva (porque na minha terra, faz sol até quando chove). E na estrada São Desidério-Barreiras, as luzes na serra são lindas, pois sempre ando no ônibus de 16:30 ou 17:00 horas. E adivinhem onde eu pego o ônibus?

domingo, 3 de janeiro de 2010

Diversos e Afins


A internet é um meio de comunicação muito vasto e que – relativamente falando – faz com que um número enorme de pessoas tenha acesso a informação e às várias formas de produção que ela possibilita, seja artística, social, econômica, entre outras. É um veículo de informação muito rápido, permitindo que as produções sejam socializadas com maior velocidade. Essa necessidade de número e velocidade acaba, muitas vezes, diminuindo a qualidade daquilo que se é veiculado. Encontrar coisas significativas nas navegações virtuais está cada vez mais difícil.

Descobri, numa dessas navegações virtuais, a revista eletrônica Diversos e Afins. Divulgando novos autores e artistas, essa revista, editada por Fabrício Brandão e Leila Andrade, abarca vários âmbitos artísticos, como a Literatura, Fotografia, Música, Artes Plásticas e muitas outras expressões. O blog possui colaboradores de múltiplos lugares, destacando-se Portugal e outros países de língua latina.

O blog se organiza em “levas”, onde publica textos, pinturas, dicas de cinema e música de artistas de toda a parte do Brasil e do mundo. Está, agora, na quadragésima leva, apresentando as pinturas de Wagner Willian, o novo disco do mineiro Pedro Morais, uma entrevista com o poeta cearense Daniel Mazza e várias dicas de filmes, com direito a resenha e comentários.

Vale a pena passar algumas horas a mais na frente do computador para descobrir pérolas como a Diversos e Afins. Iniciativas como essa nos faz ainda acreditar no poder positivo da internet.