sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Trivialidades

O que mais me agrada na Literatura é que todos os temas são líricos. Todos mesmo.
Nada de certeza empírica na escolha de um objeto de estudo, nada de temas-tabus como nas discussões religiosas. A Literatura é A Literatura, e ela dá a liberdade à Linguagem de uma forma que nada mais, em nenhuma instituição civil ou relacionamento interpessoal, daria.
Conheci o blog de Daniel Ferreira, O Último Tango ao Virar da Esquina. Deparei-me com o seguinte texto:


Trivialidades

Quando deres por ti a cagar, num sábado soalheiro, todo nú e só com um par de meias para invalidar a frieza do chão, não te questiones muito. Se tiveres em conta que das mãos, muito antes do papel higiénico, que por razões óbvias não vais utilizar, lês uma entrevista a um nacionalista duvidoso como o Lawrence Durrell, e na aparelhagem, ao fundo, toca o best of dos Queen, perceberás, mais tarde, que o sentido de rídiculo, mais do que o de absurdo, é o caminho acertado para todo e qualquer cagalhão.


Delícia, não é? Aposto que você está pensando em si mesmo e no "sentido de ridículo" que o persegue...

8 comentários:

  1. hahaha, genial, adorei o blog do Daniel, ótima prosa, muito perspicaz... Siga-me por favor?

    Será de todo deleitoso!

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  2. o cotidiano eh isso, filha! o comum, o ridículo..ok, xo parar com essas reflexoes

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  3. Ver um post destes, a propósito de uma pequena distracção, é de todo uma honra, principalmente vindo de um país que tanto se divertiu a banalizar e a atropelar o português de portugal, por ruas e vielas tortuosas.

    Não quero que pense, no entanto, que não apreciei o seu sentido de humor, mas apreciaria bem mais um reparo, um acto altruísta desprovido desse snobismo característico da nova cultura brasileira, enredada numa indiferença absurda.

    Note, não disse ridícula; era esse um dos objectivos do meu post: fazer a devida distinção.

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  4. Querido Daniel Ferreira:

    Acho que não entendeu o comentário: quando falei sobre o sentido de ridículo não disse em relação a você, mas em relação aos leitores que lêem e se idenficam com o texto por ter, cada um, suas próprias características nesse momento tão íntimo que você analisa. Gostei muito do seu texto e por isso ele está aqui.

    E quando se fala em "banalizar e atropelar o português de Portugual", acho algo maldoso de sua parte. A língua vive; se modifica de acordo com o contexto, e é impossível falar em banalizar uma língua. A língua é aquela que se usa, e o Brasil não tem obrigação nenhuma de cultuar um Português arcaico. Ou o Português é também uma banalização e atropelamento do latim ou do galego? Em Linguística existe transformação, jamais banalização.

    E, por último, acho que você notou ironia e humor onde eu não coloquei... Comentei exatamente por conta da literariedade, de se poder tratar de todo e qualquer tema com classe (como você fez). Acredite, nada tem a ver com o humor.

    Obrigada pelos comentários!

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. banalizar o português de portugal, é ótimo banalizar as coisas principalmente o português de portugal !

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  7. "A língua vive;"..*-*, disse tudo!

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  8. Ups... Achei que gozava com um pequeno, pormenor, que entretanto foi corrigido. Ridículo estava mal pontuado, (rídiculo) pensei que a piada, pois tinha, estava aí. Sendo assim, e confirmando que fui maldoso deliberadamente, perdendo assim a razão, peço mil e uma desculpas; para si e para o resto dos leitores: quando li, à pressa, escapou-me o "você" da parte final do seu comentário, quase que jurava que ontem não estava lá. :) Mais uma vez, nunca é de mais, peço desculpa e enfio, um pouco envergonhado, a minha viola no saco.

    Os mais sinceros cumprimentos.

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