sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Me engana que eu gosto...

Em certos momentos, alguns minutos de silêncio são preciosos.

O cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, fez um comentário bastante peculiar sobre a tragédia no Haiti. Sem saber que estava sendo filmado, falou exatamente as palavras que transcrevo abaixo:

"A desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido. Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f%&!#*...", disse o cônsul.

E imaginando que nós somos seres desprovidos de inteligência, o Consulado Geral do Haiti em São Paulo divulgou a seguinte nota:


NOTA OFICIAL DO CONSULADO GERAL DO HAITI EM SÃO PAULO

15 de janeiro de 2010

Diante do trágico acontecimento que atingiu o Haiti e que abalou o mundo, o Sr. cônsul George Samuel Antoine, no calor dos fatos e, principalmente por possuir centenas de parentes naquele país, sobre os quais tem poucas informações, sabendo que estão desaparecidos, provavelmente mortos, em comentário, teve seus dizeres interpretados de maneira deturpada.

Lamentamos profundamente o fato ocorrido, apresentado pelo SBT em 14 de janeiro, sendo que a divulgação de pequena parte da conversa levou a uma interpretação equivocada que ora se esclarece.

Vez que a frase expressada pelo senhor cônsul do Haiti em São Paulo, fazia parte do contexto de uma conversa que mantinha com um cidadão, que aparece na entrevista, o qual não é repórter e sim presidente do Conselho Do Instituto Americano De Pesquisa, Medicina E Saúde Pública, trata-se do Sr. Dr. Roberto Marton, e estava naquele momento disponibilizando uma ajuda humanitária, organizando recrutamento de voluntários profissionais da saúde.

O Dr. Roberto esteve naquele país meses atrás, com o próprio cônsul, assinando um protocolo de cooperação técnica na área de saúde da mulher. A dificuldade do Sr. cônsul na utilização da língua portuguesa, levou-o a um erro de expressão.

Na verdade, a intenção foi enfatizar que o trágico acontecimento no Haiti fez com que o mundo todo voltasse os olhos para os problemas do seu povo. Inclusive aqui no Brasil, possibilitando assim, maior ajuda humanitária para a reconstrução do país.

Nunca, teve a intenção de promoção pessoal, e sim, a intenção de difundir as dificuldades enfrentadas pela sua gente, que grande parte da população vive abaixo da linha da pobreza, sempre em busca de maior ajuda mundial.

O Sr. cônsul, nasceu em Porto Príncipe, possui familiares de origem africana, seu bisavô Philippe Guerrier, da raça negra, foi presidente do Haiti (1844/45); sendo que o Sr. Antoine veio para o Brasil, e em 1975, foi nomeado cônsul.

Esclarece, que em nenhuma oportunidade tomou atitude racista, tendo se expressado, tão somente, que os povos de origem africana são sofredores em várias regiões do mundo. O cônsul jamais criticou a religião africana, mantendo grande respeito por todos os tipos de crenças pela própria característica do seu país.

O cônsul-geral do Haiti em São Paulo pede desculpas a quem de alguma maneira tenha se sentido ofendido.

Consulado Geral AD.H. do Haiti em São Paulo



Não é Literatura, mas penso que, nesses tempos em que discutimos tão avidamente sobre direitos humanos e respeito à diversidade cultural, isso é mais fantástico que Kafka e Poe juntos.




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