quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Cidade

Eu sou a parte viva desses muros.
Cada tijolo me tem em sua essência
e nossos átomos contêm em si o mesmo nada,
o mesmo espaço em branco
que colore todas as coisas.

Capitão Manoel Miranda
Barão de Cotegipe
Coronel Magno
Homens que não conheço
e dormem comigo todas as noites.
Neles eu piso, eu vivo, eu caminho e respiro
sem saber o que foi, como e quando.

Pois somos uma parte, uma parte apenas
da cidade.
E nessa cidade
eu sou a parte viva dos muros.
Apenas uma parte.

O sol é só nosso, e as chuvas
e as luas.
Tem um céu inteiro concebido
para cobrir-lhe os telhados.

Mas ela se acaba, pouco a pouco,
na ganância dos homens e mulheres,
na futilidade dos homens e mulheres,
na ignorância dos homens e mulheres.

Compartilhamos as mesmas lágrimas.

No final, aprendemos a gostar das ruas tortas.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Dispersos II

Deitar e esquecer.
Esquecer e deitar.
Tirar o mundo das costas em uma única queda.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Aos meus mortos



Havia um nada, uma transparência em seu rosto,
um véu esquisito de teias sombrias.
O que era pele, o que era osso
estava tênue, tênue, tênue.
Era tudo leveza roubada da última rosa de seu tempo.
Era tudo leveza!
E nem os mais velhos sabiam
se havia a verdade em seus olhos.
Era um nada – havia um nada
se o nada pudesse haver.
Se o nada pudesse haver, estaria ali
- tênue, tênue, tênue –
a vagar pela rigidez sem natureza,
sem dureza.
A paz inquieta das últimas horas,
das tristezas interrompidas pelos silvos dos relógios
que não badalam
e o medo do que não se vê,
do que não é certo,
de um inferno inventado nas orações antigas
a paz inquieta de quem já acertou os ponteiros
e conhece a música
a paz inquieta havia.
Sempre esteve lá.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Oleiro



Os meus peitos são obra tua,
moldados por tuas mãos
com o pó divino e tua divina saliva.

Foram queimados no forno
de tua boca, os meus peitos.
De tua boca vem minha cor.

São tuas mãos aqui moldadas:
obra desconhecida
de um autor recém-descoberto.

São arte, da mais vistosa,
da mais suada e mais laboriosa
que saiu de tuas mãos.

É teu o sopro e minha morte,
minha pequena morte de todas as noites
dentro das tuas mãos.

Até quando, Barreiras, serás reino da impunidade? - Por Paula Vielmo







Em: http://ideiasaprovadebala.blogspot.com/

Na sexta-feira (04), escrevi sobre a semana pedagógica e comentei sobre o absurdo da convocatória de Jusmari em relação aos contratados e apadrinhados do governo, numa ação de revolta imensa. No entanto, é a indignação latente que me faz escrever agora e expor o que eu soube em relação às reuniões.

Infelizmente eu tinha outro compromisso, senão teria ido ao centro cultural, para pessoalmente testemunhar o evento, mas confio no repasse que me foi feito. As fontes foram seguras e nada do que foi dito foge do contexto cotidiano de Barreiras, a não ser por um pequeno e ousado levante.

Por incrível que pareça, soube que a reunião no sábado começou no horário e foi breve. O centro cultural estava abarrotado de pessoas e a prefeita falou sem usar microfone, o que para mim caracteriza que não queria ser bem ouvida e bem compreendida em suas falas. Ela estava acompanhada do marido deputado (Oziel Oliveira), da Secretária Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Maria do Carmo) e da fiel escudeira (Izôlda).

Segundo a "fonte", a prefeita foi enfática em afirmar que os/as contratados não tinham direito a receber 13º salário, bem como de "reclamar" na imprensa, pois eles tinham nela (Jusmari), uma AMIGA. Além disso, que todos contratos seriam renovados, exceto se a pessoa não quisesse assinar.

Nesse espetáculo, houve um momento para "perguntas", provavelmente para garantir a maquiagem da participação. No entanto, três pessoas fizeram corajosas intervenções, questionando sobre os atrasos nos pagamentos e a ausência da cópia do contrato, que não é entregue aos contratados/as (mais um desmando).

Ao saber dessas intervenções por parte de contratados, que historicamente tem mais medo pela instabilidade do vínculo com o município, fiquei bem animada, mas durou pouco. Os questionamentos começaram a gerar rebuliço e a fiel escudeira interveio para manter a ordem estabelecida e acabaram os questionamentos e a reunião.

Não bastasse esse ENORME desrespeito com os/as trabalhadores/as, a reunião de domingo foi para relembrar a função do cargo de encarregado escolar (que até hoje não me é clara), bem como que é um cargo do governo, ou seja, um braço do governo "Cidade Mãe" em cada escola, pois trata-se de indicação politiqueira. Isso lhes lembra algo? Eu fico enojada só de pensar.

Na verdade, estamos vivendo num IMENSO cabine de empregos, o que fortalece a reeleição da prefeita rosinha, através da política de cabresto, muito bem aprendida com o falecido Antônio Carlos Magalhães. Esses empregos, lotam a folha de pagamento e é forte a presença de muitas pessoas que nada ou pouco fazem de produtivo e educativo dentro das escolas municipais.

Falando em escola municipal, amanhã ou depois conto sobre um absurdo que chegou até mim e foi encaminhado. Realmente fico surpresa com os desmandos e desrespeitos que o povo de Barreiras sofre, principalmente os mais humildes.

"A minha resposta à ofensa à educação é a luta política consciente, crítica e organizada contra os ofensores" Paulo Freire

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Rosa


A Rosa

A aula não se interrompeu, mas a menina levantou a vista para ver quem passava pela janela, e esse olhar casual foi a origem de um cataclismo de amor que meio século depois não tinha terminado ainda”. 

O amor nos tempos de cólera, Gabriel García Marquez.


Há um lugar em minha cidade
um lugar que é de todos,
mas, naquele dia, foi apenas meu.

Eu escutei pássaros, eu os vi
atravessando o céu sobre minha cabeça
e eram pássaros meus.

Milhares de casas embaixo de meus pés
abrigavam em suas entranhas
famílias inteiras de trabalhadores.
Eram minhas famílias.

Aranhas passeavam nas pedras,
pedras que sustentaram meus pés.
Eram minhas pedras cobertas
de teias totalmente minhas.

Ordenei às minhas nuvens
cobrirem o meu sol
até onde meu desejo consentia.
Elas me obedeceram.

E, por conta de um beijo,
o mundo inteiro me pertenceu
naquele lugar,
naquele dia.

Hoje eu me tenho, apenas,
eu me tenho e tenho uma rosa.

Uma rosa viva.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Pausa para Política

O G1 fez um levantamento entre os 513 deputados federais que tomaram posse ontem e apontaram 59 deles que são processados por crimes, geralmente crimes na administração pública. Entre eles está nosso querido OZIEL OLIVEIRA, grande homem, que entre um processo ou outro dos outros deputados, apresentou nada menos que 7 ações penais.
A reportagem do G1 procurou esses meninos e meninas para que eles tivessem direito de resposta. Sabe o que o deputado de VOCÊS, oestinos, eleito pelo Oeste Baiano, que já o viu em ação, respondeu? Nada.


Abaixo copiei a tabela do jornal com os detalhes:
DEPUTADO                         AÇÃO                                     RESPOSTA




Oziel Alves de Oliveira (PDT-BA)

Ação penal 0001897-62.2009.805.0154 na – crime contra a lei de licitações
Ação penal 0001898-47.2009.805.0154 – crime contra a lei de licitações
Ação penal 0001894-10.2009.805.0154 – crime contra a lei de licitações
Ação penal 0001896-77.2009.805.0154 – crime contra a lei de licitações
Ação penal 0003728-14.2010.805.0154 – crime eleitoral
Ação penal 0001893-25.2009.805.0154 – crime de responsabilidade
Ação penal 0001899-32.2009.805.0154 – falsidade ideológica e concurso material


A reportagem procurou o deputado, mas não obteve resposta.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sangue Novo na poesia baiana

       José Inácio Vieira de Melo, um dos mais ativos poetas que conheço, iniciou o projeto Sangue Novo, no intuito de revelar a poesia fresca da Bahia. Com o subtítulo de 21 poetas baianos do século XXI, JIVM entrevista poetas nascidos a partir de 1980, baianos ou radicados na Bahia, reunindo, assim, o que há de mais novo na poesia de nossa terra. Não ficando apenas na metrópole soteropolitana, JIVM entrevista e divulga a poesia de várias regiões e cidades baianas, entre elas a poesia oestina, produzida em Barreiras.
      Para conferir os novos baianos, entrem no blog de José Inácio. Os poetas também mantém um blog em separado, onde os leitores podem conferir poemas, discussões sobre arte literária e as novidades nos blogs de cada um. 

Aproveitem o banho de cultura!


Poetas de Barreiras - Rondinelly Oliveira

¿ RESPOSTAS ?


Que prende o homem
Numa gaiola,
O pássaro ou o seu canto?
Ele inveja o canto ou o vôo?
Que prende o homem
Numa jaula,
Uma fera
Que espera
Ser domada?
Ou ele é a própria fera,
Criando emboscadas
Para aqueles que sempre foram
Livres em equilíbrio?
Que quer o homem do peixe,
Nadar mais do que “nada”
E afogar em águas rasas?
Que quer o homem do pássaro,
Asas?
Voar tão alto tecnologicamente
Para mais tarde destruir a sua própria morada?
Que quer o homem da fera,
A fúria da pantera
Que espreita e mata na mata
Pra comer,
Ou matar por matar
E jogar o corpo na mata?
Que quer o homem da flor,
As pétalas, o néctar, o amor?
O homem não quer nada
Desde quando escraviza tudo...
O seu canto é mudo
Que não é canto de pássaro
E os seus pássaros de aço bombardeiam tudo.
O seu vôo é artificial.
O único vôo verdadeiro do homem
É o vôo de poeta!
O homem não quer da fera
A lei natural do predador!
Matar/comer.
Quer força, poder, furor
Para matar por ódio ou por prazer
(guerra, terrorismo, criminalidade)
O homem não que da flor nada!
Ele destrói o perfume que existe entre seus semelhantes...
Ele transforma as grandes tragédias e injustiças sociais
Em água açucarada...
Sempre um paliativo, mas nunca o próprio mel!
Ele não se importa com a terra ou com o céu!
O homem traz o sal e o fel
Em sua genealogia de barro que mais parece de gelo!
O homem não quer nada da flor!
Nem mesmo o símbolo do amor
Pleno de néctar e perfume.
Tem ciúmes
E quer matar todos os poetas
Porque esses descobriram na flor
A sua espada e a sua revolução
“E continuam ainda acreditando nas flores
Vencendo o canhão”
Os homens não se amam de verdade
São desemelhantes,
Pois sendo meu próximo, tornou-se o mais distante
Num mundo horrível de desequilíbrio!
Que quer o homem do planeta,
Um abrigo?
Não! Ele destrói a sua própria morada.
Quer ser um desabrigado.
Os poetas no mundo moderno
Tornaram-se desabrigados, perigosos
E vistos como ameaça
Pois ainda continuam sendo
Os grandes amantes da natureza
E os últimos fiéis esposos da liberdade.