sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Rosa


A Rosa

A aula não se interrompeu, mas a menina levantou a vista para ver quem passava pela janela, e esse olhar casual foi a origem de um cataclismo de amor que meio século depois não tinha terminado ainda”. 

O amor nos tempos de cólera, Gabriel García Marquez.


Há um lugar em minha cidade
um lugar que é de todos,
mas, naquele dia, foi apenas meu.

Eu escutei pássaros, eu os vi
atravessando o céu sobre minha cabeça
e eram pássaros meus.

Milhares de casas embaixo de meus pés
abrigavam em suas entranhas
famílias inteiras de trabalhadores.
Eram minhas famílias.

Aranhas passeavam nas pedras,
pedras que sustentaram meus pés.
Eram minhas pedras cobertas
de teias totalmente minhas.

Ordenei às minhas nuvens
cobrirem o meu sol
até onde meu desejo consentia.
Elas me obedeceram.

E, por conta de um beijo,
o mundo inteiro me pertenceu
naquele lugar,
naquele dia.

Hoje eu me tenho, apenas,
eu me tenho e tenho uma rosa.

Uma rosa viva.

Um comentário:

Quebre o silêncio!