terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Poetas de Barreiras - Rondinelly Oliveira

¿ RESPOSTAS ?


Que prende o homem
Numa gaiola,
O pássaro ou o seu canto?
Ele inveja o canto ou o vôo?
Que prende o homem
Numa jaula,
Uma fera
Que espera
Ser domada?
Ou ele é a própria fera,
Criando emboscadas
Para aqueles que sempre foram
Livres em equilíbrio?
Que quer o homem do peixe,
Nadar mais do que “nada”
E afogar em águas rasas?
Que quer o homem do pássaro,
Asas?
Voar tão alto tecnologicamente
Para mais tarde destruir a sua própria morada?
Que quer o homem da fera,
A fúria da pantera
Que espreita e mata na mata
Pra comer,
Ou matar por matar
E jogar o corpo na mata?
Que quer o homem da flor,
As pétalas, o néctar, o amor?
O homem não quer nada
Desde quando escraviza tudo...
O seu canto é mudo
Que não é canto de pássaro
E os seus pássaros de aço bombardeiam tudo.
O seu vôo é artificial.
O único vôo verdadeiro do homem
É o vôo de poeta!
O homem não quer da fera
A lei natural do predador!
Matar/comer.
Quer força, poder, furor
Para matar por ódio ou por prazer
(guerra, terrorismo, criminalidade)
O homem não que da flor nada!
Ele destrói o perfume que existe entre seus semelhantes...
Ele transforma as grandes tragédias e injustiças sociais
Em água açucarada...
Sempre um paliativo, mas nunca o próprio mel!
Ele não se importa com a terra ou com o céu!
O homem traz o sal e o fel
Em sua genealogia de barro que mais parece de gelo!
O homem não quer nada da flor!
Nem mesmo o símbolo do amor
Pleno de néctar e perfume.
Tem ciúmes
E quer matar todos os poetas
Porque esses descobriram na flor
A sua espada e a sua revolução
“E continuam ainda acreditando nas flores
Vencendo o canhão”
Os homens não se amam de verdade
São desemelhantes,
Pois sendo meu próximo, tornou-se o mais distante
Num mundo horrível de desequilíbrio!
Que quer o homem do planeta,
Um abrigo?
Não! Ele destrói a sua própria morada.
Quer ser um desabrigado.
Os poetas no mundo moderno
Tornaram-se desabrigados, perigosos
E vistos como ameaça
Pois ainda continuam sendo
Os grandes amantes da natureza
E os últimos fiéis esposos da liberdade.

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