quinta-feira, 5 de maio de 2011

Perdição



Eu tenho me esquecido dos deuses.
Estes malditos me cobram sacrifícios que não posso dar.
Toda fé tem limite e eu conheço o sangue derramado.
Agora perambulo nas latrinas
procurando o resto de honra que joguei fora.
Abrir os olhos é masoquismo.
A luz dói mais nesses dias
e eu tenho medo do vindouro.
Existem cartas na manga conhecidas por todos os jogadores
e – Deus! – como eu queria mentir!
Até isso nos é tirado.

Embaralho o destino e retiro um arcano;
ele me diz mais que meus anos de cristandade.
Minhas cruzes, eu as carrego
para o morro onde jazem as barrigudas
(árvores tristes com cabelos ao vento).
Lá eu largo tudo o que é antigo,
e vivo minha natureza humana
decentemente arrumada
pelos meus descréditos.

Soa um sino ao longe, marcando a mudança.

2 comentários:

  1. Também tenho medo do vindouro, mas confesssar não o adia. Se ele quiser, virá*.

    *Há de chegar o dia em que os fatalistas serão perseguidos como adeptos do Fatah.
    atebrreve

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  2. Pagã. ^^

    Gostei do poema;

    Abraço

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Quebre o silêncio!