Não há maior desespero que a falta de voz.
Nem todo som é, por si, inteligível.
Os ouvidos tardam a perceber verdades
e verdade é rocha inacessível.
Custa a vida chegar lá.
“De metamorfoses vive o homem”, diz a História.
“Seu pão é palavra cabalística, início dos tempos
- resto de magia estendida no universo -
que o transforma sem ser ouvida”.
Mais do mesmo.
O olho aprende a ver o que deve apreender.
Há escolas para isso e nada se questiona.
A verdade é contada de cima, de cima cuspida,
engolida entre uma prosa e outra.
Invenções de crianças crescidas.
Destina-se a humanidade em canetas viciadas.
São os mesmos livros, outras capas apenas,
e suas prateleiras pesam pecados:
são viventes os que escrevem,
sobreviventes os que lêem.
E se fala, corta-se a língua;
E se vê, furam-se os olhos.
E se levanta, derruba.
Mas muitos são as bocas, os olhos e as pernas.
Será demorado, será difícil. Correm-se riscos.
Num momento onde não há escolha
- pois a única saída é escolher-
Fecha-se o vão da história.
Nos mostram um buquê que disfarça o grilhão.
ResponderExcluirPoema muito bom moça.
Abraço
Bela leitura do truque de cartas!
ResponderExcluirVida em poesia.
Abraço Janara!
"And no one show us to the land
ResponderExcluirAnd no one knows the wheres or whys
But something stares and something tries
And starts to climb towards the light"
Ler esse poema me remeteu a Echoes, do Pink Floyd. Não pelo conteúdo exatamente, mas pelo formato. O 'ritmo' das palavras combinam.
O advento da palavra é o big bang do conhecimento. Toda a magia do mundo advém daí. Será que matei o truque das cartas ou meu ouvido tardou em perceber a verdade? Adorei teu poema, e me perder nos truques de cada estrofe =)