quarta-feira, 25 de maio de 2011

Seca



Esse fogo maldito que me entorta a cara
que me arranca a pele, ferve meu sangue
esse fogo maldito
azul
que nem parece queimar
deita todos os dias em minha cama
e brilha, e brilha
um brilho pálido de morte.

É fogo na vereda, animal correndo
minha pele virando campeiro
filhote de coruja abandonado na chama.

Esse fogo maldito que me entorta a cara
deita todos os dias em minha cama
e entra em meus sonhos.
O farfalhar de asas das araras em fuga
é o sinal da loucura em cada árvore.

Último esconderijo, uma caverna.
Lá dentro, todas as feras copulam.

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