Divindade perdida,
mancha amarela no céu masculino
castrando o orgulho azul dos deuses.
Coroa de espinhos dos pedestres,
rasga a pele de quem luta nas ruas:
poeira e lama, carro e carreta.
Sem adoradores, sem cultos,
sem poemas, sem arte.
Beleza esquecida no sofrimento.
Todos andam pela sombra;
todos sombreiam e disfarçam
o morrer de todo dia.
Os olhos não vêem,
os rostos não levantam
e os passos se arrastam.
Os profetas revelaram o que era certo,
escreveram o evangelho de obviedades
que os escravos, coroados, ignoram:
O Sol é a bandeira da Serra da Bandeira.
E recomeça o culto.

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