segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sábado

Lavar os pratos como quem lava o mundo.
Gritar a canção como se houvesse palco.
Perder a noção como se perde o trabalho.
Trabalhar em casa e pagar a si mesma.

Desbaratar labirintos nos tetos de aranha,
varrer as energias ruins para o quintal,
tirar epiderme dos móveis com um pano,
decretar guerra contra as formigas.

Tecer histórias com as cordas do varal,
limpar a reputação refletida no sanitário,
esquecer uma vida enfrentando o guarda-roupa.

Um dia quente, um bocejo, o vento.
A poeira, as plantas, o coentro.
Uma música.

Um comentário:

  1. Gostei. Comparando com a vida toda esta faxina. Viável.

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Quebre o silêncio!