Era a mulher
e as mulheres eram nada.
Era a barriga,
uma barriga toda inchada.
Era um útero
maior que a mulher.
Era a
vasilha, o copo sujo, a roupa seca.
Era um
desastre, era a tristeza, era o tormento,
o esquecimento,
a dor profunda, funda falta.
Era um
corpo, era um cabelo, era uma faca
e na estaca
se perdia a vida insossa.
Era um homem
que era tudo e nada era.
A hera é ela,
ela é o pecado, a maçã podre.
Era um deus,
só eram deuses, são só deuses.
E é a culpa e
o silêncio e a mortalha.
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| Mulheres Protestando. Di Cavalcanti, 1941. |

Gosta que comentem? Ou acha estranho uns elogios mal-traçados? Gostei de tudo, ainda mais do ritmo. Só não concordo com essa história de dizer que os deuses eram machos...
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