quinta-feira, 18 de julho de 2013

Viagem

Eu tenho que quebrar as cercas da consciência: matar os guardas, atirar nos cães, desativar o sistema elétrico. Eu preciso ampliar limites, caminhar pelas trilhas que ela escondeu, comer do fruto da árvore do bem e do mal e acariciar as onças que ela me fez temer.

Eu tenho que empurrar a porta da consciência. Golpeá-la, destruí-la, queimá-la, e deixar a consciência à mostra, despojada das suas máscaras e sandálias. Quero olhar nos seus olhos e ver o que há por dentro, deslindar as reentrâncias, descobrir os odores, discernir suas estratégias de controle.

Eu tenho que entrar na casa da consciência, encontrá-la no momento mais íntimo de sua existência. Quero vê-la no banheiro, colocando pra fora as asneiras com que alimenta meu cérebro. Vamos tomar café e discutir as louças na cozinha, as flores no jardim, pegar umas mudas pra levar pra casa.

Eu tenho que enganar a consciência. Pedir uma foto antiga, mais açúcar para o café, umas torradas, talvez. A consciência é esperta, pois carrega muita maldade dentro de si.


Eu tenho que entrar no sótão da consciência, pois lá ela guarda o que me é mais precioso.

William Blake. The Angel of Revelation (1803-1805)

2 comentários:

  1. Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens é um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
    Eu também tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita
    Ficarei radiante se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais, saiba que sempre retribuo seguido também o seu blog. Deixo os meus cumprimentos e saudações.
    Sou António Batalha.

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  2. Muito obrigada! Vou visitar seu blog! Beijos!

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Quebre o silêncio!