quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Jardim das Esperas

Em meus curtos vinte anos,
nenhum beija-flor entrou por minha janela.
Meu jardim, bem cuidado e cheiroso
não recebe casais apaixonados.

Girassóis desbotam nos cantos;
carecem de um Sol para acompanhar.
Se as rosas ainda prosperam
é porque se riem da efemeridade
de sua própria risada.

Só jasmins gritam seu cheiro
no entardecer mole e escuro
desse Jardim de Esperas,
enquanto um balanço
– sozinho –
dança uma cantiga de roda
cantada pelo vento que,
dia após dia,
se cansa
de soprar.

6 comentários:

  1. Grande Lála, aquele balanço solitário no Jardim de Esperas, à mercê do vento, tá muito bem colocado. A poesia é muito boa: uma única imagem, às vezes, resume todos os sentimentos.

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  2. Escuta, tô aqui igual a Becket, esperando, esperando... Um novo jardim, vai vir?

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  3. e entao vc me manda ler seu blog..
    aiai, vc sabe bem como caprichosamente enervar minha objetividade e dar força a minha subjetividade.

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Quebre o silêncio!