sexta-feira, 19 de março de 2010

Garganta


Eu preciso de um fósforo ou isqueiro,
quero algo qualquer que faça fogo.
Há um cigarro amargo a ser queimado,
há uma fumaça densa pra engolir.

Há um cigarro amargo pra acender.
Quero a seda mais branca que houver
se enrolando na palha da Angústia:
minha saliva selando seu destino.

Em minha frente existe uma parede
Rachaduras de um outro terremoto
E o lodo de chuvas já choradas
É a pintura que vejo em meu limite.

A fumaça chega ao muro e pára:
Não há céu para onde vá subir.
Uma bola cinzenta escapa à boca
É a Angústia queimada, sem porvir.

Um comentário:

  1. Sempre gostei do teu ritmo, desde a primeira vez. Muito bom que trabalhes nisso. Muito bom o que disseste. Fere o despertar.

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Quebre o silêncio!