quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Eu no Sangue Novo

Tive a honra, recentemente, de ser convidada para participar da seção Sangue Novo, do blog de José Inácio Vieira de Melo(http://jivmcavaleirodefogo.blogspot.com/), destinada a divulgar poetas inéditos. Está no blog a entrevista e os três poemas escolhidos por ele. Coloco aqui a entrevista na íntegra.


SANGUE NOVO - JANARA SOARES


A POESIA COMO FÉ
 – JANARA Laíza de Almeida SOARES nasceu em Barreiras, em 1989. Morou por 19 anos no município de São Desidério. Cursa Letras Vernáculas no campus IX da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, em Barreiras, onde reside.
Para Janara a poesia é uma profissão de fé e ela mantém essa chama bem acesa para compartilhar com aqueles que têm fome de encantos. Mantém o blog 
Minutos de Silêncio e Outras Fantasias(http://minutosefantasias.blogspot.com/). Vamos ler as palavras de Janara, musa do Oeste, que extrai sua poesia da essência das coisas.
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO – Janara, o que é poesia? Para que serve a poesia? O que lhe leva a fazer poesia? Onde pretende chegar com sua poesia?
JANARA SOARES – Não sei o que é poesia e tenho uma preguiça enorme de tentar definí-la. Engraçado fazer algo que não conseguimos definir. Eu vejo a poesia como fé: você não sabe o que é Deus, mas acredita e ora e prega. Sei, no entanto, para quê ela serve. A poesia serve pra uma infinidade de coisas, ao contrário do que os estudiosos falam sobre a arte, pois tudo o que o ser humano faz serve para algo. Em primeiro lugar, a poesia serve para a intenção do poeta, podendo ser íntima (externar angústias, anseios, tristezas e felicidades) ou coletiva (poesia com cunho social, como força de transformação). É uma forma especial de comunicar aquilo que ninguém vê. Em segundo lugar, a poesia serve para o leitor. Todas as pessoas têm sentimentos intensos, mas nem todas conseguem falar ou escrever sobre eles; aí entra a poesia. Não sei o que me leva a fazer poesia e essa pergunta me inquieta, fazendo com que eu me sinta meio irresponsável... Normalmente os poetas têm uma idéia definida sobre seu “ser poeta”. Eu ainda estou construindo isso. Eu ainda me sinto muito surpresa quando alguém afirma que leu algo que escrevi, e mais surpresa ainda quando gostam. Agora me chega a possibilidade de ser lida, talvez reconhecida. É meu período de amadurecimento.
JIVM – Você lê muito? Qual o primeiro livro que leu? O que está lendo? Quais são seus escritores referenciais? Quais os seus poetas preferidos?
JS – Sempre li muito, exageradamente, quase compulsivamente. Não sei se isso foi bom ou ruim para mim, já que a leitura era algo solitário e eu nunca tinha com quem compartilhar minhas experiências. Demorou um pouco para que eu criasse um círculo social. Não lembro do primeiro livro que li, mas lembro do que tenho como mais antigo em minha memória. É um livro infantil chamado “O Diabo na Noite de Natal”. Não me recordo o autor, mas lembro que misturava o folclore brasileiro com personagens que conhecia do cinema (o Capitão Gancho, Superman, Carlitos). Acho que gostei mesmo do livro por causa da última frase: “E em algum lugar, um relógio batia meia-noite”. Hoje em dia minhas leituras são mais acadêmicas, o que me enche de raiva. Tenho medo de perder a habilidade e a alegria que eu tinha para leituras voltadas para o prazer. Na prosa, sempre li os clássicos brasileiros, principalmente o Machado de Assis, que me proporcionou muitas risadas na minha adolescência. Um dia descobri o Gabriel Garcia Marquez e me apaixonei totalmente. Os contemporâneos eu só encontrei na universidade. Quanto aos poetas, comecei a ler e fazer poesia por volta dos dez, onze anos. Amava Álvares de Azevedo, e ainda amo. Fiquei sabendo que existia um tal de Vinícius de Moraes quando encontrei um livro velho e surrado lá em casa, sem capa e sem nome. Lia sempre e adorava. Fui descobrir que era ele, anos depois, quando vi o Soneto de Separação em um livro didático. Conheci Baudelaire, Rimbaud, Oscar Wilde, e vários outros estrangeiros em quem eu me espelhei naquela época. Hoje tenho Ferreira Gullar como um dos meus preferidos.
JIVM – Para uma garota que escreve versos e mora no Oeste, a mais de mil quilômetros da capital, qual o papel que a internet desempenha? E na sua criação poética, como é que ela participa?
JS – A internet foi uma válvula de escape. Nunca tive vontade de mostrar meus poemas para pessoas conhecidas. Um dia, há alguns anos, fiz um blog e comecei a postar. Foi um alívio, como se eu estivesse tirando um peso das costas. O divertido é que sempre que via alguém escrevendo, sem querer mostrar, eu incentivava ao máximo para que espalhasse pelos quatro cantos sua obra. Hipócrita, não? Essa história de internet lavou minha consciência, pois eu podia publicar sem que pessoas conhecidas vissem meus poemas. Não foi bem isso o que aconteceu, mas tudo bem. Sendo um veículo rápido de informações, pude entrar em contato com novos poetas e perceber novas estéticas, o que renovou totalmente a minha forma de criar. Deus, eu tenho sonetos metrificados! Ainda não sei como eu conseguia fazer isso. Antes eu trabalhava mais; hoje é mais rápido, mais intuitivo. E antes eu não trabalhava, tendo, portanto, tempo para ficar horas num único poema.
JIVM – O fato de ser estudante do curso de Letras tem proporcionado a você um conhecimento mais profundo da literatura brasileira, sobretudo da contemporânea, ou esses assuntos são vistos apenas de passagem? Quais benefícios o curso de letras trouxe para a poeta Janara Soares?
JS – Eu caí no curso de Letras por acaso. Sempre quis fazer História e jamais tinha pensado em estudar Literatura. Para mim, Literatura era pra ser lida, e só. Entrei porque na época em que fiz o vestibular não havia curso de História e descobri que em Letras ensinavam Latim, que eu já estudava sozinha. Meu curso, na verdade, é mais rico nas disciplinas de Lingüística e de Educação. A Literatura não é estudada tão intensamente como eu esperava quando entrei no curso, mas quando acontece, é bastante gratificante. Conheci poetas que nunca teria conhecido se não estivesse na academia e, além disso, descobri as relações entre Linuguística e Literatura, o que me rendeu leituras imensamente ricas. As disciplinas relacionadas à Crítica Literária tiraram minha inocência na leitura de poemas e da Literatura em geral. Hoje tenho mais capacidade de inferir no texto, de ter uma posição quanto aquilo que eu leio. Não sei se isso é muito bom. Tenho agora mais bagagem para discernir as coisas, mas antes era mais mágico, era mais poesia.
JIVM – O que você anda fazendo? Já tem planos para publicação do primeiro livro? E o que mais?
JS – Estou terminando meu curso e planejando minha monografia. Quero fazer um trabalho sobre a relação do espaço, do território e da paisagem na criação literária, especificamente aqui, no Oeste Baiano. Quando sair daqui, pretendo fazer o mestrado imediatamente. Não quero ficar parada. Quanto à publicação de um livro, eu nunca pensei nisso, mas idéias estão começando a aparecer. Na verdade, minha primeira idéia de publicação seria uma antologia com os poetas levantados na minha monografia, com o intuito de promover a Literatura de nossa terra. Livro meu, mesmo, só estou começando a pensar agora.

2 comentários:

  1. Vc acha que eu passei por aqui hoje pra te desejar Feliz Natal, não é? Nananina... O Natal que arranje um jeito de ser feliz por ele mesmo, eu passei pra te dizer que muitos séculos e milhas de distâncias não arrefecem sinceras admirações, valeu? Beijão e ...
    Feliz Tudo (Pacote completo, ok?)

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  2. só vim ver a entrevista agora!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    mas enfim uma puta de uma entrevista, poderia ter sido um pouco maior esse dialogo, mas ficou show de bola !!!!!!!

    kkkkk bjsss

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