quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Teoria da Composição

Minha vontade é escrever.
Escrever tudo, escrever livremente,
escrever com as mãos, com os lábios, com a mente, com o corpo.
Usar todos os tipos de papéis: sulfite, ofício, monitor, cama, corpo, parede, boca.
Escrever, escrever, escrever!
Como um vício, como um impulso, id liberto e elevado à última potência.
Percepção adulterada para criar.
Vinho, haxixe, ópio.
Poesia, vinho, virtude.
Cores, sons, toques, cheiros, quartas e quintas dimensões.
Tudo evoco quando escrevo.
Porque posso, porque devo fazê-lo.
Não é simples, não é fácil. Tem que viajar
– em todos os aspectos.
Tem que se estender no chão e fumar um cigarro e beber um café.
Tem que chover, para sentir o cheiro da terra,
porque sou terra, de seu pó fui feita e para ela, como pó, voltarei.
A verdade é que meus sentidos não são assim, tão apurados.
Tenho que sentar, que concentrar, que apertar os olhos,
que lamber três vezes e fungar milhares.
Os toques? (quando você me ajuda, são muitos).
Só os sons, esses é que me penetram rápido.
E forte.
Batidas de sons entram pelo ouvido, passeiam pelo cérebro,
apostam corrida na minha corrente sanguínea,
invadem meu intestino, se acoplam, qual nicotina, em meus pulmões;
brincam com meu coração: querem saber qual batucada é mais bonita.
Aí, sim, escrevo.
As palavras fluem e se divertem com os sons.
Relaxam.
Aí, sim, dá pra escrever;
apuro os outros sentidos e faço-os poesia.

3 comentários:

  1. Dominada, possuída... Deixe-se invadir como agora. Palavras não te trairão jamais.

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  2. Tarcísio Ítalo Vaca Menstruada3 de fevereiro de 2011 09:29

    Como bloco de gelo quebrado em uma superfície côncava onde os fragmentos naõ se fragmentam. Onde a essência é a união.
    Onde o "sentidos" é único!

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Quebre o silêncio!