Espero um trem.
Um troço qualquer que me desmembre,
que me desintegre na poeira para a qual eu devo voltar.
Espero que me carregue
- sentido único da minha mudança –
para o espaço, corpo de deus,
uma viagem de ida para o fim dos dias.
Para um início que eu não sei.
Os rumores de vida me doem,
pois constelam numa galáxia que não alcanço.
... e a afirmação é sempre mais doída,
quando se sabe da própria cegueira,
das cores que não se pode tocar.
No final, esse trem é apenas brisa.
(e cada lua é um não sei quê de partida…)
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