domingo, 27 de maio de 2012

Janela


Retirantes (1944), Cândido Portinari

Em cima dos telhados vejo a Morte,
feia, sem graça e preguiçosa.
Passeia devagar, observa a agonia,
ri, toma café, fuma.

Acaricia os gatos, dá o de comer,
acena para as janelas abertas.
Visita as casas, todas suas íntimas,
conversa sobre o tempo, dá conselhos.

Depois de uns minutos, quiçá uma hora,
ela volta. Sem encanto nenhum,
se abaixa e manda a alma levantar.

Em cima dos telhados, ela passeia.
Porque, pra ela, é passeio.
Pra gente, é fim de noite.

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