sábado, 10 de outubro de 2009

Divino Insano



Vontade de beijos. De beijos e mãos nas costas nuas. De cheiros e abraços. Não qualquer cheiro. Não qualquer abraço. Hálito de uva e abraço de fim de mundo. Quero o toque; exatamente aquele toque. Aquele que atrai suspiros e provoca arrepios.

Quero o peito nu em meu peito nu. Porque quando os pêlos tocam meus seios, eu viajo. Viajo para um universo paralelo, para um mundo dionisíaco onde só o amor tem vez. Não qualquer amor, não qualquer mundo. O amor de Dioniso, o mundo de Dioniso.

Vontade de vinho. Vinho e línguas e bocas. Vontade de cheiro. Cheiro de vinho e de sua boca. E sua língua em meu corpo, em meu braço, em meu seio, em minhas pernas. Suas mãos e o vinho em minhas pernas. Calor, muito calor.

Vontade de esquecer o mundo, de matar Apolo, de afogar Minerva. Quero o seu cacho de uvas entre minhas maçãs. Quero as minhas ninfas esgotando seus sátiros. Porque minhas ninfas, todas elas, amaram Dioniso. Os seus sátiros? São apenas servos de Dioniso. Não amam.

O verde das pastagens não supera o brilho de meus olhos regados a vinho, abençoados por Dioniso. Minhas flores, lindas flores, desabrocham, e enchem de cheiro o ar. O ar que respiro enquanto ofego, enquanto sinto sua fruta em minha terra.

E quando o vento soprar de novo, tudo será lembrança. Porque Dioniso é intenso, insano, rápido. E me amarra com linhas velhas e me solta ao nascer do dia. Acaba com minha liberdade ao me libertar, pois minhas mãos, ao serem soltas, te encontram, e prendem-se de novo no seu peito nu. Em meu peito nu. E tudo volta a ser noite. E tudo expira Dioniso.

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