quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ígneo

Os teus versos, eu os dissolvi
No melhor Cabernet Sauvignon.
Arderam em meus lábios, famintos,
Teus versos, o fogo dos teus versos.

Das folhas de teu livro, couro de centauro,
Fiz meu leito sob a lua crescente.
Cobri-me com elas seis dias e seis noites;
No sétimo dia, acordei repleta de ti.

De tua lembrança, fiz um esconderijo
Que adornei com teus mais belos verbos,
E de teus cílios fiz cortina de sonhos
Para enfeitar as noites de minha janela.

Ainda restaram teus toques, raros toques
Ofertados a mim na azáfama dos dias,
Que deslizavam por sombras e tecidos
No afã de serem apenas sugestões...

... mas tão quentes, tão reais e desejosos
que me faltam metáforas.

Um comentário:

  1. Acho que esse poema foi feito para mim... Ou é pretensão minha... Gostei muito. Você tem talento. E, outra coisa, os raros toques ainda multiplicaremos em milhares - os mais intensos e saborosos. É apenas uma questão de tempo e de oportunidade. Beijos.

    JIVM

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